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domingo, 21 de setembro de 2014

6 mitos sobre as eleições no Brasil que muita gente acredita


Olá galera, a reportagem de Beatriz Souza ajuda esclarecer sobre as inúmeras “falácias” do votar em branco ou de anular o voto.

Bom domingo e boa leitura.
 

Beatriz Souza

Exame.com - ‎domingo‎, ‎21‎ de ‎setembro‎ de ‎2014

São Paulo - Se a maioria dos votos de um pleito for nulo, a eleição pode ser cancelada. Só os candidatos mais votados conseguem cadeiras na Câmara. Votar branco ou nulo é uma forma eficaz de protestar contra a política.

Todas as frases acima são falsas e fazem parte dos mitos que circulam sobre o processo eleitoral brasileiro. Veja a seguir a explicação para essas e outras dúvidas que podem confundir a cabeça do eleitor:

Mito - Votar nulo pode anular uma eleição

O que define uma eleição são os votos válidos. Votos brancos e nulos não são considerados válidos e são excluídos da contagem final. Portanto, se a maioria dos eleitores votar nulo, todos estes votos serão desconsiderados e ganhará o candidato que tiver o maior número de votos válidos.

Há uma confusão porque o artigo 224 do Código Eleitoral diz que "Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do País naseleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do Município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias". Mas a nulidade a que se refere o artigo são de votos fraudados, coagidos ou falsos.

Mito - Só os candidatos mais votados são eleitos

Nas eleições para prefeito, governador e presidente (realmente) é necessário que o candidato tenha 50% dos votos mais um - isto é, a maioria - para ser eleito. Então, o candidato precisa ser o mais votado para vencer.

No entanto, nas eleições para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores pode acontecer de um deputado com menos votos ganhar de um mais votado.

Isso acontece porque o mais importante nesse tipo de votação é o total de votos recebidos pelo partido ou pela coligação. Ou seja: quanto mais votos o partido ou a coligação receber, mais vagas na assembleias terá direito. Só então, sabendo quantas cadeiras tem, o partido elege sua lista de candidatos.

Então, se um partido tem um número maior de cadeiras, ele vai ter mais candidatos seus na Câmara mesmo que em outro partido haja alguém que tenha recebido mais votos. O exemplo clássico é o de Tiririca, que em que, mesmo sem estar com seu registro de candidatura como elegível, o candidato possa continuar fazendo campanha. Somente quando houver a decisão final de indeferimento do registro é que o candidato não poderá mais concorrer.

Isso permite que se a situação ainda estiver indefinida no dia da eleição, o candidato pode receber votos e até ser eleito. No entanto, se o registro estiver indeferido, todos os votos concedidos a ele serão considerados (momentaneamente) nulos.

Após as eleições, caso ele tenha o registro aceito em decisão final, os votos concedidos a ele voltarão a ser válidos. Se acontecer o contrário, os votos serão considerados nulos definitivamente.

Mito - Votar nulo é uma forma de protestar contra a política

Há campanhas que pregam o voto nulo como uma forma de protestar contra o descaso dos políticos brasileiroscom os eleitores, no entanto, o voto nulo acaba por facilitar a eleição de candidatos a deputados federais, estaduais, distritais e vereadores.

O número de vagas que cada partido vai ocupar nas câmaras municipais, estaduais e federal é deteminada pelo quociente eleitoral. O cálculo é feito pela divisão total de votos válidos (sem brancos e nulos, portanto) pelo número de cadeiras. Sendo assim, quanto maior o número de votos nulos, menor o quociente eleitoral e menos votos serão necessários para conseguir uma vaga no plenário.

Mito - Ninguém pode ser preso no período eleitoral

De acordo com o artigo 236 do Código Eleitoral, desde 5 dias antes e até 48 horas depois do encerramento da eleição, nenhuma autoridade poderá prender qualquer eleitor. Há exceções para flagrantes e sentença criminal condenatória por crime inafiançável.

Para candidatos, mesários e fiscais de partido, a garantia começa a valer 15 dias antes do dia da eleição. A exceção de flagrante vale para eles também.

Mito - Candidatos podem dar brindes para fazer campanha

O TSE proíbe a confecção, utilização, distribuição por comitê, candidato (ou com sua autorização) de camisetas, chaveiros, bonés, canetas e brindes em geral que possam proporcionar alguma vantagem ao eleitor. O infrator pode responder por captação ilícita de sufrágio (isto é, compra de votos) e por abuso de poder.

sábado, 26 de julho de 2014

Sobre política e jardinagem


Rubens Alves ofereceu muitas contribuições a nossa sociedade, esse texto é uma delas. Quero compartilhar como reflexão para este período de campanha eleitoral, e também  para homenageá-lo, por sua “partida”.
Sobre política e jardinagem
Rubem Alves – 2000

Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja um jardineiro adormecido dentro de você.
DE TODAS as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim «vocare”, quer dizer “chamado”. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um “fazer”. No lugar desse “fazer”, o vocacionado quer “fazer amor”com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
“Política” vem de “polis”, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade, O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu “o que é política?”, ele nos responderia: “A arte da jardinagem aplicada às coisas públicas”.
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim, se a sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.
Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.
A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mu1her. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.
Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.
Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.
Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.
Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de ser confundidos com gigolôs e de ter de conviver com gigolôs.
Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja um jardineiro adormecido dentro de você. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas são legítimas, se forem vocação. Mas todas elas são afunilantes: vão colocá-lo num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?
Acabamos de celebrar os 500 anos do Descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem.
Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros, mas lenhadores e madeireiros. Foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim, para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, em vez de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores em cuja sombra nunca se assentariam.

Rubem Alves- educador, escritor e psicanalista, é professor emérito da Universidade Estadual de Campinas. É autor de “Entre a Ciência e Sapiência: o Dilema da Educação” (Edições Loyola), entre outras obras.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

URGÊNCIA DA REFORMA POLÍTICA


                                                                                                                               D. Demétrio Valentini
 

Do clamor das ruas emerge, com nitidez, uma providência que precisa ser assumida de imediato. Trata-se de efetivar a tão esperada reforma política, que reaproxime Estado e Sociedade, e que possibilite mecanismos de participação popular, para que as demandas do povo possam ter o seu encaminhamento normatizado, de modo claro e prático.
Se a reforma não viabilizar o exercício da democracia direta, o impasse se reproduzirá. O recado mais direto das manifestações populares é a salutar vontade do povo, de participar das decisões que dizem respeito aos interesses de toda a população, sem privilégios e sem exclusões.
O cerne da reforma política a ser efetivada com urgência, e com a força decorrente das demonstrações populares, precisa ter como foco central viabilizar o exercício da democracia direta.
Este exercício é duplamente viável. Em primeiro lugar, porque existem hoje os meios técnicos da aferir a vontade do povo, possibilitando que os cidadãos manifestem suas demandas.
          Em segundo lugar, porque o povo expressou sua consciência política e sua vontade de participar das responsabilidades públicas em vista do bem comum de toda a sociedade.
          Portanto, o passo qualitativo a ser dado deve ser o aprimoramento da democracia participativa, para não reincidir nas desgastadas fórmulas da democracia representativa.
         E no que se refere à legislação eleitoral, o ponto central é o financiamento das campanhas, que precisa ser bem regulamentado, sobretudo para que o poder econômico não seja o fator determinante dos resultados eleitorais.
A reforma política tem a finalidade de reaproximar o poder político do nascedouro de onde ele procede, que é a cidadania. A Constituição afirma muito claramente que “todo poder emana do povo, e em seu nome é exercido”.  A Sociedade, que delega o poder ao Estado, não pode simplesmente achar que o Estado vai sempre exercer este poder dentro das finalidades que lhe foram atribuídas. Ela precisa sempre sustentar as estruturas, e as motivações, para que o poder seja exercido de acordo com as finalidades que devem regê-lo.
Uma reforma política, portanto, se apresenta claramente com a finalidade de atingir o âmago da estrutura do poder e a forma de exercê-lo, tendo como critério básico inspirador a participação popular. Trata-se de reaproximar o poder e colocá-lo ao alcance da influência viável e eficaz da cidadania. Em outras palavras, trata-se de tomar providências e medidas práticas, para redemocratizar as relações entre Estado e Sociedade, possibilitando a consecução das finalidades inscritas na Constituição, atendendo ao anseio de aperfeiçoamento e consolidação da democracia, que favoreça o bem comum de toda a população brasileira.
        Será um bom teste de maturidade política chegarmos à aprovação das propostas concretas capazes de traduzir na prática estes princípios.
        Para a hipótese de que seja escolhido o caminho do plebiscito, já fará parte do processo democrático a elaboração das questões, claras e objetivas, a serem submetidas à decisão do povo. Seja como for, é preciso traduzir os anseios do povo em medidas concretas, a serem decididas e assumidas responsavelmente por todos.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Falso debate sobre a PEC 37

Por Paulo Moreira Leite
Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.
 
SGeral: publicado em 23/06/2013
 
O debate em torno da PEC 37 ocorre num momento especialmente instrutivo para quem se preocupa com a preservação das instituições democráticas.
 
         A PEC, nós sabemos, pretende garantir exclusividade às forças policiais no trabalho de investigação criminal.
         Só para você ter uma ideia do que está acontecendo.
         Dias atrás, tivemos um mutirão de 158 promotores. Os jornais e emissoras de TV disseram que sua finalidade era combater a corrupção. O próprio Roberto Gurgel, procurador-geral da República, deu um esclarecimento em outra linha: "O MP está mobilizando a sociedade no sentido de mostrar que o que se deseja com a PEC 37 é concentrar as investigações num único órgão do Estado, a Polícia. É um retrocesso gigantesco para a persecução penal e para o combate à corrupção.”
        É grotesco.
        O procurador-geral admite que o Ministério Público fez prisões e operações de busca com a finalidade de fazer propaganda de um ponto de vista político e pressionar o Congresso. O Estado de S. Paulo, o mais antigo dos grandes jornais do país, diz que é isso mesmo – e critica Gurgel, em editorial. “Se fosse apenas uma demonstração de eficiência dos Ministérios Públicos (MPs) estaduais e da Procuradoria-Geral da República no cumprimento de suas atribuições funcionais, o mutirão contra a corrupção - integrado por 158 promotores - mereceria aplauso. Infelizmente, porém, ele foi realizado com propósitos corporativos e políticos.” 
        Disse ainda o jornal: “Mais do que um ato de protesto, essas operações midiáticas são uma verdadeira tentativa de retaliação contra políticos, por parte do MP.” É isso, meus amigos: “uma tentativa de retaliação contra políticos.” Quem quer retaliar os políticos? Até onde eu sei, quem faz isso é o eleitor, em urna. Retalia quem não gosta, promove quem agrada e dá uma chance a quem levanta esperanças. Fazemos isso pelo voto em urna, soberano, origem dos poderes da nação. 
É assim nas democracias, o pior regime que existe com exceção de todos os outros. 
        Vamos pensar um pouco mais. Nesta operação exemplar, tivemos dezenas de prisões, operações de busca, e até dois parlamentares paulistas com seus telefones grampeados, em algo que é uma campanha marketing. Não se iluda. Em poucos dias, o saldo dessa operação de “demonstração” estará nos jornais, um punhado de políticos será acusado a partir de informações vazadas e o país estará estarrecido diante de mais um escândalo.
        Sei que a corrupção existe e que é preciso que seja punida e investigada.  Mas a perseguição política não leva a parte alguma. Seleciona alvos, define adversários e escolhe suas vítimas ao sabor de opções que não têm caráter técnico. Só para dar um exemplo, que todos podem lembrar: não é curioso que o celebre mensalão mineiro, pioneiro e original, iniciado nas eleições de 1998, só tenha sido investigado anos depois que se apurou o mensalão petista? E não é curioso que até ministros admitem que o interesse da imprensa – uma instituição privada, com interesses próprios e visão política própria – tenha interferido nesse comportamento? Não se deve generalizar uma discussão que não tem mocinhos nem bandidos, mas é preciso entender o principal: estamos assistindo a uma disputa de garantias constitucionais e direitos democráticos. Este é o debate em torno da PEC 37.
        Não sou em quem diz isso, mas a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, que acaba de criar uma Comissão de Defesa da Constitucionalidade das Investigações Criminais. Procurando esclarecer as coisas, o advogado Marcos Costa, presidente da OAB-São Paulo apoia a PEC 37 e explica, em entrevista ao Estado de S. Paulo de hoje: "A PEC não quer restringir os poderes do Ministério Público, cujo papel é relevantíssimo e está claramente estabelecido pela Constituição Federal de 88. Na verdade, propõe restabelecer a imparcialidade na fase de investigação, segundo a qual a Polícia Judiciária (Civil e Federal) investiga, o Ministério Público denuncia, a Advocacia faz a defesa e o Judiciário julga." Para Costa, "quem acusa não pode comandar a investigação, porque isso compromete a isenção, quebra o equilíbrio entre as partes da ação penal".
        A PEC 37 devolve à polícia o direito de investigar uma denúncia criminal. Já ao Ministério Público caberia  determinar a abertura de uma investigação e apresentar uma denúncia à Justiça, se for o caso. Por quê? Como ensina o mesmo Estadão: “No Estado de Direito, quem acusa não deve ter a prerrogativa de investigar, sob pena de se pôr em risco o devido processo legal e ferir liberdades públicas e individuais.”

terça-feira, 13 de novembro de 2012

CONSCIÊNCIA NEGRA


                                           

O dia 20 de novembro é dedicado à “consciência negra”, iniciativa que visa estimular e fortalecer a consciência da identidade própria racial e cultural dos negros no Brasil.

A iniciativa já seria válida pelo número de pessoas que se sentem envolvidas nesta questão. Não é fácil ter estatísticas precisas, justamente numa realidade que está em plena mutação, em boa parte, exatamente, pelo processo em andamento, de identificação racial e cultural.

Mas dá para afirmar que, aproximadamente a metade da população brasileira se assume como possuindo componentes importantes ligados à negritude.

Comparando com dados recolhidos nos sensos anteriores, percebe-se claramente que aumentou muito o contingente de brasileiros que se assumem como negros.

Isto demonstra que a iniciativa de promover a “consciência negra” vem dando bons resultados, sobretudo em termos de superação de preconceitos que a população ainda carrega, seja em referência aos negros, seja também de negros que acabam, de alguma maneira, introjetando o preconceito dentro de si próprios.

O fato é que permanece muito difícil a superação de preconceitos longamente implantados ao longo da história, com o apoio da organização econômica e social, que traduzia o preconceito em medidas de opressão e de exclusão social, econômica e cultural.

A dificuldade em remover a carga de preconceitos que pesam sobre a população negra do Brasil, que ainda carrega as consequências do regime de escravidão, justifica as políticas públicas, que visam acelerar o processo de equiparação completa entre todos os cidadãos brasileiros, independente de raça ou de outros critérios.

Entre estas políticas, está o “sistema de quotas”, que visa garantir uma crescente participação de negros nos cursos universitários. Este sistema encontra uma primeira justificativa diante da grande disparidade existente nas universidades, onde a participação de negros é flagrantemente desproporcional.

Alguns ponderam que este sistema, que pretende superar a discriminação, traz em sim mesmo um viés discriminatório, na medida em que reforçaria o que se quer superar, isto é, ter a raça como referência para políticas públicas.

Acontece que a conveniência destas iniciativas tem presente a realidade concreta, constatada pelas estatísticas, de uma disparidade que, se continuada, perenizaria a desigualdade ora existente. 

Mas também é verdade, que se pretendemos que estas políticas sejam eficazes, precisamos admitir que devem ser provisórias. Pois em perspectiva, se elas conseguem o efeito pretendido, levarão a uma situação em que o ideal será a perfeita igualdade de oportunidades, que todos poderiam ter, sem a ajuda de quotas ou de outras medidas que podem valer agora, mas carregam consigo a marca da caducidade.

Bom seria se o Brasil pudesse, de fato, dar ao mundo o precioso testemunho de uma sociedade igualitária, em perfeita convivência de raças diferentes, que prescindirão sempre mais de regulamentação legal para se relacionarem no respeito mútuo e no diálogo fraterno.
    
                                                                                                                        Dom Demétrio Valentini
 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

JUNTOS SOMOS FORTES


Caro Eleitor:

Na certeza que "a política é a forma mais sublime de exercer a caridade" (P. Paulo VI), mais uma vez, me comprometo a fazer da política um instrumento para se alcançar os anseios de homens e mulheres que buscam um mundo melhor, um novo mundo.

É difícil acreditar na política, pois é marcada por diversos "escândalos" transmitidos pelos meios de comunicação. Porém, devido a minha e educação, acredito que ainda é possível reverter esse quadro. Sonho com um mundo justo e fraterno, onde as pessoas não morrem de fome e são respeitadas, onde as crianças tenham acesso à educação e que brinquem nos parques, sem medo.

Recordo-me dos ensinamentos dos meus pais que nos educaram na perspectiva de buscarmos este mundo, mesmo que isso pareça uma utopia. Diante disso, nunca temi e sempre procurei “lançar as redes em águas mais profundas” (Lucas 5, 1- 11).

Com o tempo descobri que podemos efetivar esses sonhos quando almejamos e "suamos a camisa". Foi dentro da Igreja que descobri diversos exemplos, vivenciando até hoje experiências baseadas nas sagradas escrituras que são inspiração para a construção de um novo mundo.

Jesus Cristo se preocupou com a vida das pessoas; desfavorecidos e desvalidos e com os leprosos, e ao mesmo tempo, ensinou como os governantes podiam ser uma liderança justa no meio da sociedade. Ele não teve medo de enfrentar os grandes desafios propostos na época e permaneceu inabalável diante de sua missão.

Considero a minha atuação na política como uma missão e não uma profissão. Dessa maneira, minha família sempre esteve ao meu lado me apoiando; minha esposa Marlene, meus filhos Nathália e Vinicíus, sempre me auxiliaram a manter meus "pés no chão", porque a minha atuação é em prol do próximo.

No entanto, infelizmente, alguns políticos não entendem meu ponto de vista e faz da política algo para benefício próprio, uma forma de conquistar "status" e poder. Sem essa base familiar não conseguiria viver essa missão, diariamente. Foi com as palavras de encorajamento da minha família que consegui concluir o curso de Ciências Religiosas, Psicologia e me especializar em Fé e Politica, condições essas que me possibilita estar na política e fazer dela o “bem comum”.

Não posso concretizar sozinho o sonho de um mundo novo, preciso da ajuda de pessoas comprometidas com este sonho também. Acredito que quando sonhamos juntos, a possibilidade deste sonho se tornar realidade é muito maior.

Consegui visualizar na política as formas para efetivação desses sonhos. E a minha atuação nos últimos anos no poder Executivo e Legislativo me possibilitam continuar acreditando que a política é um valioso instrumentos para a  instauração de um ordenamento social.

Hoje, quero agradecer o apoio que você e sua família têm me proporcionado, o qual me faz acreditar que juntos podemos concretizar o sonho de um mundo novo, a começar por nossa cidade: Hortolândia, que já vem avançando em seus projetos e se destacando entre as cidades mais desenvolvidas do mundo.

Neste momento, faremos mais uma escolha em definir a continuidade ou não de um projeto. Portanto, pensem no avanço que Hortolândia já teve e também no legado que você quer deixar aos filhos e filhas.

Conto com seu voto e de seus familiares na certeza de que juntos conseguiremos ver o sonho se tornar realidade, porque "JUNTOS SOMOS FORTES"!

 

Vereador: Toninho Evangelista - 13120

Prefeito: Meira - 13

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Junto Somos Fortes


Nas eleições municipais, o que está em disputa são os projetos que discutem os problemas mais próximos do povo, ou seja, vamos definir o que queremos para os próximos quatro anos em nossa cidade. Nossa missão é escolher e votar em candidatos comprometidos na construção coletiva da cidadania e  justiça social.

Quero reafirmar meu compromisso em defesa da pessoa com deficiência e na propositura de politicas públicas emancipatórias para os hortolandeses: Garantia de mais espaço de lazer; de transporte coletivo de qualidade; projetos de moradia popular; escolas com período de contra turno, que possibilita a formação integrada de nossas crianças e adolescentes. É necessária a humanização da saúde com maior controle e responsabilidade social, a defesa do SUS que atende 80% da população brasileira, um dos maiores patrimônio do povo brasileiro. 

Com este compromisso conto com seu voto e agradeço aos homens e mulheres que comigo acreditam que Hortolândia não pode parar, pois foi em defesa destas propostas que estive ao lado do prefeito Ângelo Perugini em nossa cidade e você reconhece o quanto nossa cidade mudou nos últimos 8 anos. Vote 13120 – Toninho Evangelista –vereador.

Junto Somos Fortes.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Juntos somos fortes!



Com a certeza que Política se faz caminhando, convido você a caminhar comigo. Somos homens e mulheres que acreditam e juntos podemos manter viva a utopia de que um outro mundo é possível, neste mundo seremos fortes, porque haverá partilha do pão e do poder, logo não reinará a fome e outros medos que nos envolvem neste momento de nossa história.

O modelo capitalista que impera no mundo não assume a defesa humana como condição sublime de nossa missão. O capitalismo descarta a vida para garantir o mercado, com isso pensamos na lógica mercantil se esquecendo dos apelos do criador, grande oleiro que nos presenteou com o barro/argila e espera que sejamos tão perfeitos quanto Ele e que mantenhamos o equilíbrio e harmonia do meio ambiente.

 Acreditem! Do medo ao barro, foi se consolidando a minha caminhada na Política, um longo processo que fiz até aqui, primeiro com minha família e ela me conduziu aos lugares que eu poderia encontrar Deus. Foram tantos lugares, inclusive na Política. Lembro-me dos primeiros, com a implantação das CBEs (Comunidades Eclesiais de Base) na diocese de Umuarama/PR. Naquele momento cantávamos: 

“Fica sempre, um pouco de perfume, nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas. Dai um pouco do que tem a quem tem menos ainda, enriquece o doador e faz sua alma ainda mais linda (...)”.

Era década de 80, aflorava em todo país um desejo de mudança, recalcado por longas décadas de sofrimento, e o capitalismo entre outras coisas provocava o êxodo rural. As famílias migravam para os grandes centros e a juventude alimentava seu sonho embalada na melodia de Geraldo Vandré “Para não dizer que não falei das flores”.

 Surgiu a PJ (Pastoral da Juventude), eu era adolescente e morava na zona rural na região noroeste do Estado do Paraná. Ao completar 15 anos fui participar da PJ. Nesta região, como em outras do Brasil os Jovens migravam para os grandes centros na busca por melhora, pois o sistema propiciava pensar que não tínhamos valor morando na roça. Neste período junto com as CEBs passamos a cantar assim: “Não é preciso ser filho de doutor, jovens da roça também tem valor” ou “A juventude é uma semente, que Deus na terra semeou, tornou-se flor tornou-se gente e o mundo nunca mais parou”.

Neste espírito celebramos 1985, “Ano Internacional da Juventude”, no embalo pelas “Diretas Já” e depois pelo processo Constituinte que mobilizou todo Brasil, começamos a realizar eventos para enviarmos nossos representantes à Brasília para, participarem das manifestações em defesa das Políticas Públicas. Me orgulho disso! Mas, muitas vezes tínhamos que recuar, pois também vivíamos a Era do cassetete.

As formas de repressão eram as mais diversas e por causa de meu posicionamento Político, fui “convidado a se retirar do trabalho” e por temer outras consequências em agosto de 1988 migrei para Campinas e no ano seguinte para o Jardim Amanda em Hortolândia, onde resido até hoje.

O “mundo” que não era capaz de defender Politicas Públicas para a juventude, na década de 90 se justificou afirmando que a juventude dos anos 70 e 80 foi uma juventude “depravada”, e em 2000 chamou os jovens dos anos 90 de “geração coca cola”. (reflita sobre isso).

Percebi que não poderia deixar de clamar pela defesa dos direitos das pessoas e pela implantação de Políticas Públicas. Muitas vezes, quis me calar, mas clamei e acreditei! Esse nó, que chamamos de Política Pública, ainda está na minha garganta, porém aprendi que é um processo, e que a Política ainda é a possibilidade de um grito que ainda precisa ser dado.

Sonho e convido você a vir gritar comigo por Políticas Públicas emancipatórias e por uma sociedade em que reine a justiça social.

Na experiência com Deus, aprendi que a Fé é pessoal e nos relatos Bíblicos que Deus é Espirito, portanto, sopra onde quer: embora o homem, às vezes pensa que pode mudar esta possibilidade, e soprar em outra direção.

Por minha Fé, reconheço que o homem não muda Deus, mas Deus também não muda o homem se esse não estiver convencido que sua missão é mudar o mundo e para mudar o mundo ele deve reconhecer o rosto de Deus estampado nas diversas faces humanas, em algumas delas já desfigurado.

Senhor! Que eu tenha coragem de assumir e defender os muitos rostos desfigurados, de ser oleiro em seu projeto fazendo da Política um caminho para a Paz, com ética e responsabilidade social.

 Esta não é uma missão fácil, mas possível se estivermos juntos. Vocês são testemunhas do desenvolvimento de nossa cidade, pois neste final e início de século travamos lutas pela falta de água, pelo “asfalta já”, por políticas públicas de assistência, ou seja, da vergonha ao orgulho de dizer “eu sou de Hortolândia!” É esta a experiência de Deus que estou fazendo desde 1989 quando a comunidade do Jardim Amanda me acolheu.

Neste ano, vamos fazer mais uma escolha, nela definir a continuidade ou não de um projeto, portanto, pensem na Hortolândia dos muitos rostos e também no legado que você quer deixar aos filhos e filhas dessa cidade.


Eu sou parte de um projeto que vocês conhecem. Desde 2005 faço parte do governo de Ângelo Perugini, e tive a oportunidade de atuar em diversas instâncias sendo a última delas, como chefe de Gabinete. Este projeto representa um grande avanço, mas há muito ainda por fazer, por isso é “Hortolândia daqui para melhor”, porque “Juntos somos fortes”.

Peço e conto com seu voto

 Abraço Fraterno

 Toninho Evangelista - 13120 - Vereador

Meira - Prefeito 13 e Renata Belufe - Vice


sexta-feira, 15 de junho de 2012

Sociedade pede urgência em todas as ações que envolvam direitos dos povos indígenas

Carta a Dilma e aos presidentes do STF, do Senado e da Câmara conclama os três poderes a priorizar as questões dos povos indígenas e repudia a PEC 215.
São Paulo, 13 de junho de 2012 - Manifesto assinado por nomes de peso no cenário nacional e internacional e várias instituições e associações indígenas pedem políticas públicas para os povos indígenas, efetividade nas demarcações de suas terras, julgamento urgente das causas indígenas e rejeição à PEC 215.
          O documento marca o lançamento da campanha â Eu apoio a causa indígena, que já recebeu a adesão de personalidades como Antonio Candido, Marilena Chauí, Noam Chomsky, Boaventura de Souza Santos, Eduardo Galeano, Dalmo Dallari, Fabio K. Comparato, Zé Celso, Letícia Sabatela, Wagner Moura, Frei Beto, entre outros.
           A Campanha será lançada pela Associação Juízes para a Democracia (AJD) e pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), hoje, dia 13 de junho, às 10h00, na sede da CNBB, em Brasília e a carta será entregue à presidente da República, Dilma Rousseff, ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Brito, e aos presidentes do Senado e da Câmara de Deputados, que receberão semanalmente as assinaturas colhidas.
           Ao denunciar o quadro de violência e espoliação dos povos indígenas, o texto aponta diversos descasos do poder público: As terras não são demarcadas com a presteza fincada na Constituição Federal; obras públicas são realizadas sem qualquer diálogo com as comunidades afetadas, descumprindo a necessidade de consulta e participação; órgãos oficiais permanecem vulneráveis às pressões dos poderes econômicos e políticos locais e/ou com estrutura precária.
          A falta de delimitação e demarcação dos territórios tradicionais, diz a carta, aguça os conflitos que se retroalimentam da inoperância do Poder Judiciário. Por isso, do STF, cobra-se o cumprimento das normas: A garantia de duração razoável do processo, direito humano previsto no artigo 5º, inciso LXXVIII, da CF, no tema das demarcações, é reforçada pelo marco temporal fixado para a União. Estas normas estão a exigir que o Poder Judiciário dê prioridade a estes processos. Clamamos ao STF que faça cessar o sofrimento do povo indígena. Somente desta forma haverá paz e será construída nova etapa da história brasileira, no qual a primazia da dignidade humana estará presente em sua integralidade, sob a luz da alteridade estabelecida na CF.
         Os signatários da carta, que está disponível na internet e aberta para adesões, conclamam aos integrantes do Congresso Nacional para que cumpram a missão constitucional sobre o primado da submissão às cláusulas pétreas, razão pela qual rejeitam a PEC 215, projeto que consideram um atentado contra o protagonismo dos povos indígenas no processo constituinte brasileiro. A imperativo que o Congresso Nacional resguarde o direito de consulta prévia que os povos indígenas têm em relação a todas as propostas legislativas suscetíveis de afetá-los, diz a carta.
No site oficial da campanha, veja a íntegra da carta, a relação de signatários e acesse o sistema para adesões online. www.causaindigena.org

domingo, 10 de junho de 2012


Os Enawenê denunciaram a preocupante e humilhante diminuição dos peixes em função da construção de dezenas de pequenas hidrelétricas no curso do rio Juruena. Além disso, por ocasião da definição dos limites do território desse povo, o governo deixou de fora um dos mais importantes rios, o Rio Preto. Por que até hoje não se reviu essa grave violação aos direitos dos Enawenê? Já se passaram 20 anos do bárbaro assassinato de Vicente Cañas Costa, missionário que vivia com os indígenas no estado de Mato Grosso. Com sinal de perfurações e afundamento craniano, O crime ocorreu porque Cañas apoiava a demarcação da terra Enawenê-Nawê e trabalhava pela saúde deste povo. Um julgamento de três dos acusados de participação no assassinato acabou acontecendo em Cuiabá, sem condenação dos acusados. (CIMI)

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Políticas Públicas: Saúde e Educação


A Diocese de Caitite/BA, sob o Pastoril de Dom Ricardo e em preparação para o seu centenário celebra neste período o ano da Caridade, com encontros que buscam reviver, celebrar e avançar a perspectiva Cristã e sócio Político que envolve o humano.
São grandes os desafios no sertão baiano, maior do que eles, é a alegria do povo, buscando formas de viver em harmoniosa com o semi-árido brasileiro, propondo ações concretas e políticas públicas sociais emancipatorias, que suscitam a esperança utópica de que um outro mundo é possível. Foi neste contexto que pude estar presente e me colocar a disposição para esta construção.
Assessorar o segundo Encontro da Caridade com o Tema “Políticas Públicas: Saúde e Educação” na Paróquia do Bom Jesus em Brumado e o encontro Diocesano de Fé e Política daquela Diocese, foi uma experiência partilhada de Deus que aconteceu nos momentos de orações, louvor e reflexões técnicas sobre a realidade da saúde pública e educação em nossa sociedade.

Este encontro também faz parte do gesto concreto que a Diocese de Caitite, assumiu em consonância com a Campanha da Fraternidade 2012, que tem como Tema “Fraternidade e Saúde Pública” e Lema “Que a saúde se difunda sobre a terra”. Neste sentido, a Paróquia Bom Jesus de Brumado, sob orientação de Pe. Jose Silva, Eutrópio e do Seminarista Sandro, juntamente com uma animada equipe paroquial mobilizaram toda a cidade a participar deste momento de Fé e responsabilidade social na construção de uma sociedade de Justiça e Igualdade social.
Atendendo aos apelos do Evangelho e sensibilizados pela realidade local, os encontristas assumiram a responsabilidade para construir e dinamizar a Pastoral da Saúde, com visitas aos enfermos e participação do controle social daquele município.  
Grande abraço a todos