sexta-feira, 8 de março de 2013

QUASE...


   Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase.
         É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
         Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
         Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
         Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
         Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
         De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
         Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
         Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

(Autoria atribuída a Luís Fernando Veríssimo, mas que ele mesmo diz ser de Sarah Westphal Batista da Silva, em sua coluna do dia 31 de março de 2005 do jornal O Globo)

sábado, 2 de março de 2013

BENTO XVI, BISPO EMÉRITO!


Nosso amado Papa Bento XVI renunciou; agora, é Bispo emérito de Roma! Após seu histórico gesto de renúncia, marcado por grandeza de alma, humildade, fé, esperança e imenso amor à Igreja, choveram indagações, especulações, do que estaria por trás da atitude do Papa ao renunciar. Não faltaram inclusive, calúnias, intrigas, de tradicionais inimigos da Igreja. Ao anunciar sua renuncia, o Papa foi claro e preciso, dizendo: “Após ter examinado perante Deus reiteradamente minha consciência, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério petrino”.
Ao contrário de muita gente, não me surpreendi, como bispo emérito que sou com a atitude de Bento XVI, pois há 50 anos atrás, o decreto Christus Dominus, do Vaticano II, promulgado no dia 28 de outubro de l965, pedia, “ com empenho,aos bispos apresentassem sua renúncia à Autoridade competente em caso de idade avançada” (C.D.21).
O Papa Paulo VI, no “motu próprio” denominado “Ecclesiae Sanctae, regulamentou esta recomendação do Concílio fixando a idade de 75 anos para a renúncia dos Bispos. Esta matéria está claramente legislada no cânon 401 do Código de Direito Canônico, sendo que, no cânon 332, se prevê também a possibilidade de renúncia do Papa. O Papa, Bispo de Roma, não foi porém incluído na fixação dos 75 anos para a renúncia. Os Cardeais o foram, conservando-se contudo aptos para participar do conclave eletivo do Papa até os 80 anos de idade, motivo pelo qual Dom Cláudio Hummes e Dom Geraldo M. Agnelo, Bispos eméritos, com menos de 80 anos participam da eleição do Papa. As razões alegadas por Bento XVI para sua renúncia são claramente as indicadas pelo Concílio há 50 anos atrás!
A Igreja, Mãe e Mestra, na longa história do papado, reconhece que somente Celestino V renunciou. Ele era monge e ficou no governo da Igreja somente cinco meses, renunciando já bastante idoso, no ano l294, por se sentir incapaz para o cargo. Dante Alighieri o colocou no inferno pela renuncia e a Igreja o declarou santo!
Acredito que a generosa, profética, atitude do Papa Bento, agora bispo emérito de Roma, aprofundará o estudo sobre as questões práticas que envolvem os EMÉRITOS, abrangendo todos os ministros ordenados, do Papa ao Diácono. A Conferência dos Bispos do Brasil já avançou muito no campo dos Bispos eméritos, tendo inclusive, constituído no dia 19 de outubro de 2012 uma Comissão Especial para os Bispos Eméritos. O Papa Bento, em seu ato oficial de renúncia, afirma que “ no mundo de hoje, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grave relevo para a vida da fé, para conduzir a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor tanto do corpo como do espírito, vigor que nos últimos meses, diminuiu em mim...”
Firmada em Jesus Mestre, Caminho, Verdade, Vida, iluminada pelo Espírito Santo, a Igreja não deve ter medo de lançar redes em mares mais profundos, de efetuar reformas que vão, desde o veemente apelo à conversão pessoal, à santidade de vida, às mais urgentes mudanças em muitas de suas estruturas em todos os níveis. O Santo Padre João Paulo II, em se tratando de questões ecumênicas, na encíclica “ Ut unum sint”, convidava responsáveis eclesiais e teólogos de nossas Igrejas a amplo diálogo com o objetivo de “ encontrar uma forma de exercício do primado que, mesmo sem renunciar de modo algum ao essencial de sua missão, se abra a uma situação nova”.
Bendito seja o Papa Bento, Bispo emérito de Roma, por sua atitude profética! Que, em seu amor profundo à Igreja, à humanidade toda, reze de maneira especial por nós, conservando-nos em seu coração, pois em nossos corações, ele tem permanente morada e imensa gratidão!

Dom Angélico Sândalo Bernardino
Bispo emérito de Blumenau (SC).

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

CARNAVAL E JUVENTUDE

              
     O carnaval comparece cedo neste ano. Ele depende da data da páscoa. Como desta vez ela acontece ainda em março, é preciso ir recuando o calendário, para que entre o carnaval e a páscoa caiba o tempo da quaresma.
     Assim se comprova, de novo, que o carnaval nasceu como um evento secundário, colocado em referência a outro, mais importante. No caso, o carnaval se desenhou no contexto da expectativa da quaresma, que se constitui num tempo prolongado, bem programado, com metas bem estabelecidas, e com uma cadência bem orquestrada, de apelos positivos para a vivência de valores evangélicos.
    Era para começar bem a quaresma, que o carnaval servia de marco divisório, apontando para a quaresma, com seu começo na quarta-feira de cinzas.
    Mas, o que continua tendo um valor secundário, assumiu uma importância muito grande. A ponto de se tornar, para muita gente, o evento maior do ano.
    Assim, o que era acidental, passou a central. O que era simples aperitivo, tornou-se o prato principal. E com frequência acontece, que se exagera no aperitivo, e se perde o banquete!
    Como evento importante, é preciso reconhecer que ele foi agregando valores, e ao mesmo tempo suscitando riscos.
    É inegável o valor cultural e simbólico que o carnaval assume, nas suas diversas manifestações, sobretudo em algumas regiões diferenciadas do Brasil. Mérito especialmente das escolas de samba, mas também de uma política equilibrada de promoção do carnaval, especialmente em alguns Estados com mais tradição.
    Mas é inegável que muitas práticas carnavalescas descambam para a irresponsabilidade moral, expondo as pessoas a graves riscos, não só de envolvimento em atitudes de devassidão, mas em frequentes perigos de vida, como consequência dos exageros, que se procura justificar invocando para o carnaval uma permissividade ilusória, que abre caminho para atitudes equivocadas, com sérias consequências de toda ordem.
    Se a este contexto somamos os abusos na bebida, a irresponsabilidade no trânsito, o consumo de drogas, se completa o quadro de ambiguidades e de excessos, que expõem as pessoas a sérios riscos, de que elas na hora não se dão conta, tornando assim ainda mais perigosos os ambientes resultantes destas ambiguidades do carnaval.
    Quem mais está exposto a estes exageros é a juventude. Por sua sede de experiências fortes e de liberdade total, facilmente os jovens se tornam vítimas dos seus próprios exageros.
     Neste ano, passado o carnaval, a juventude estará no centro de nossas atenções, pela Campanha da Fraternidade. Foi muito oportuna esta opção da CNBB, de fazer da juventude o tema central deste ano. E de novo, o confronto do carnaval com a quaresma se torna símbolo da situação da juventude.  Para o carnaval os jovens vão, sem precisar de convite. Para refletir sobre suas vidas, no contexto da Campanha da Fraternidade, temos que encontrar maneiras de nos aproximar dos jovens, e convidá-los a participar.
     Neste ano, o carnaval acontece sob o impacto da tragédia de Santa Maria, e com a disposição do policiamento de coibir rigorosamente os motoristas de dirigirem alcoolizados.
    Que estes dois fatores sirvam de alerta a todos. Para que, passado o carnaval, possamos viver com intensidade o tempo da quaresma. Que ela seja bem vinda!          
 
D. Demétrio Valentini 02/2013

 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A TRAGÉDIA DE SANTA MARIA

                                                                                        
           Tão fácil não será esquecida a cena que logo foi difundida pelo mundo. De um momento para outro, em questão de minutos, o que era uma festa alegre e descontraída, se tornou um desastre de consequências terríveis e inesperadas. Mais de duzentas pessoas acabaram morrendo subitamente, mal tendo tempo para se darem conta da fatalidade que se abatia de repente sobre elas.
Perderam a vida, lá onde tinham ido para comemorá-la. De repente, o que devia ser um ambiente seguro e propício para a alegria e o divertimento, se tornou uma terrível armadilha, de onde foi difícil escapar, mesmo para aqueles que conseguiram sair de suas garras.
Diante de um fato trágico como este, que implicou a morte de centenas de pessoas, num primeiro momento nos invade o sentimento de impotência, face a realidades que impiedosamente vão ceifando pessoas, tirando-lhes o dom mais precioso, imprescindível, e insubstituível, que é a própria vida.
A difusão da notícia foi suscitando um turbilhão de sentimentos. Todos nos imaginamos como teria sido diferente se em tempo o incêndio pudesse ter sido evitado. Teria sido tão fácil agir com antecedência, ficou tão difícil enfrentar as consequências.
Esta constatação faz logo pensar na medida indispensável que precisa sempre ser tomada, de prevenção adequada a ser feita, com a suficiente garantia e com medidas generosas, mesmo que pareçam exageradas quando vistas fora de nossas previsões de acidentes inesperados que possam acontecer.
Esse fato deixará certamente muitas lições práticas, a serem tiradas por todos. De maneira especial pelas autoridades encarregadas de urgirem a segurança em qualquer ambiente de aglomeração humana.
Mas antes de pensar nas providências que esta tragédia vai certamente despertar, todos nos sentimos ainda envolvidos e solidários com as pessoas que mais de perto estão agora experimentando a dureza deste drama que se abateu sobre elas, de maneira tão terrível e inesperada.
Para os que morreram, podemos ter uma certeza iluminadora, seja qual for a forma que toma nossa fé e nossa esperança. Com serenidade, para eles, podemos cultivar a certeza de que terão se encontrado com o Deus da vida, que os acolheu com misericórdia, ternura e bondade, fazendo com que passassem diretamente da festa nesta vida, para o banquete definitivo, mesmo que isto tenha acontecido em hora tão inesperada.
Esta certeza a respeito de todos os falecidos nesta tragédia, serve de principal conforto para os sobreviventes, seja os que estavam na festa e conseguiram sobreviver, seja para as famílias, para os parentes e amigos dos falecidos.
Assim mesmo, sabemos que a dor persiste e vai ser levada para a vida inteira. E diante desta dor humana, a melhor atitude é o respeito, o silêncio, e a solidariedade com todos e cada um.
São muitas as reflexões que este triste acontecimento suscita. Ainda mais diante do fato de ter envolvido especialmente jovens, neste ano em que a Campanha da Fraternidade tem como tema a juventude, e como evento principal o encontro mundial do Papa com os jovens, aqui no Brasil.
A seu tempo, estas reflexões precisarão ser bem recolhidas, para serem transformadas em lições de vida.
Impressiona a constatação de que a grande maioria das vítimas deste incêndio, não morreu queimada. Morreu por inalar fumaça tóxica produzida pelo fogo. Esta circunstância é carregada de simbolismo. Quando se queimam valores, se abandonam critérios éticos, se esquecem recomendações da prudência e da sabedoria tradicional, o perigo mora nas consequências! Parece inócuo prescindir destas referências. Mas a seu tempo o resultado se manifesta. 
É urgente identificar onde mora na sociedade de hoje a fumaça tóxica que ceifa vidas e impede sua realização plena. Que este triste episódio de Santa Maria sirva de alerta a todos.         

                                                                                                                               D. Demétrio Valentini

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Saúde brasileira e compaixão evangélica


"Jesus percorria todas as cidades e povoados,
ensinando em suas sinagogas,
pregando a Boa Nova do Evangelho,
 e curando todo tipo de doença e enfermidade.
Vendo as multidões,
 Jesus teve compaixão, porque estavam cansadas e abatidas,
 como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9, 35-36).
 

                Dor sem remédio, doença sem cura, enfermidade crônica – eis como aparece o sistema de saúde brasileiro no dia-a-dia da população. As imagens recentes, especialmente nas capitais de Salvador e Rio de Janeiro, já se tornaram "pão nosso de cada dia”: fila interminável para marcar consulta, muitas vezes somente para o próximo ano; idosos, enfermos, pessoas em cadeira de rodas, gente visivelmente debilitada, chegando a dormir na fila para não perder o lugar; alguns morrendo antes de serem atendidos; senhas que não alcançam a todos, deixando boa parte à margem... E coisas desse tipo! Chagas vivas de um sistema de saúde enfermiço.
Apesar de comuns e amplamente divulgadas pelos meios de comunicação social, tais cenas chocam e impressionam duplamente a opinião pública: de um lado, rostos e membros mutilados por um sofrimento acumulado, expostos à luz do sol e da mídia, feridas que parecem jamais cicatrizar; de outro lado, o descaso dos funcionários, atendentes e médicos, mas de modo particular das autoridades de primeiro escalão do sistema de saúde, em nível municipal, estadual e nacional.
Dos postos e ambulatórios de atendimento assistencial e imediato ao Ministério da Saúde, passando por hospitais, laboratórios e farmácias, planos de saúde, o que se vê é uma rede cheia de nós, de curtos-circuitos, onde sobram os males e faltam soluções, sobram as dores e faltam remédios. Um verdadeiro labirinto sem saída, em que emperram, se engavetam ou são adiadas exames, consultas, cirurgias. Em nenhum outro setor das políticas públicas é tão evidente e flagrante o jogo de empurra-empurra.
Das casas e ruas, dos pontos de ônibus e feiras, dos botecos e supermercados, dos campos e praças – levanta-se uma única pergunta: o que está faltando?  Recursos públicos? Certamente não, pois eles aparecem com extrema abundância em outras áreas, especialmente nos incentivos fiscais à indústria e ao comércio, ao agronegócio e às grande obras do PAC, como se o crescimento a qualquer preço fosse a "panaceia para todos os males”. Sem falar dos gastos com a máquina administrativa dos três poderes, executivo, legislativo e judiciário, e deixando de lado os desvios com a corrupção.
Segue de pé a pergunta: o que está faltando?  Orçamento para a saúde pública? Também não, porque ele existe, mas muitas vezes é contingenciado (como o são os gastos com educação, transporte, segurança, infraestrutura, calamidades, etc.), em vistas de outras "urgências governamentais”. O que importa é manter a porcentagem do PIB em permanente ascensão, satisfazendo, por exemplo, o transporte privado, o consumo da classe média ou os lucros estratosféricos do sistema financeiro (leia-se Bradesco, Itaú, Santander...). Deixemos de lado, uma vez mais, os gastos com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, os quais, por si só, exigiriam um capítulo à parte.
A pergunta é teimosa como a própria dor: o que está faltando?  Talvez uma concepção diferente da saúde pública (para não falar de outras áreas). O que prevalece em geral é a visão mercantilista. Os serviços se convertem em oportunidades de acúmulo de capital. Os direitos adquiridos se reconvertem em mercadorias a ser negociada na férrea lei da oferta procura. No contexto do mercado total, tudo se transforma em bens de troca, incluindo a uma consulta urgente, sob risco de morte; os alimentos da cesta básica, em meio à miséria e fome; o remédio indispensável e ininterrupto, que subordina a própria sobrevivência; o deslocamento para o trabalho, longo, caro e cansativo; o sexo, o prazer e o lazer; e até os bens relacionados ao sagrado.
Caminhando para a conclusão, vale retomar as palavras evangélicas da epígrafe. Dor, fome e solidão constituem três irmãs siamesas: não podem esperar! É isso o que mostra a prática de Jesus. Sua caravana nunca atropela quem sofre, nunca abandona e necessitados. Sempre se detém diante o grito que vem dos pobres (é o caso dos cegos de nascença, da mulher que sofria de fluxo de sangue e de tantos outros). Grito tanto mais eloquente quanto mais silencioso e silenciado. Os sem vez e sem voz encontram profunda repercussão no coração de Jesus. Daí sua aguda atenção aos mudos e mutilados da história, mutilados no corpo, na alma, nos direitos – "multidões cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor”.
No ponto final, uma pequena luz à insistente pergunta: o que está faltando? Quem sabe uma prática política fundamentada na ética e nos valores acumulados pela humanidade ao longo dos séculos. Nesta perspectiva, o que está em jogo não são os privilégios e o patrimônio das classes poderosas e dominantes, e sim o bem comum da população como um todo. Creio não ser inoportuno o critério da "compaixão evangélica” como barômetro das decisões a serem tomadas diante dos setores de baixa renda, evitando sempre o fundamentalismo e o obscurantismo religioso, que tanto mal semearam nas trilhas da história.
No fundo, nada de novo, apenas o regime democrático levado a sério, não somente no espetáculo das eleições e campanhas, urnas e votos; mas, sobretudo, da partilha justa e equitativa, fraterna e solidária da riqueza produzida por toda a nação. Mais do que "crescer para depois dividir o bolo” (como dizia Delfim Neto em anos passados), o que se necessita é abrir oportunidades a todos, numa economia nova em termos sociais, políticos, culturais e ecológicos. Boas iniciativas têm sido criadas pelos últimos governos, mas esse enfoque político e econômico requer novos canais, instrumentos e mecanismos de participação popular, no sentido de controlar a ação de seus representantes políticos, de decidir sobre as políticas públicas, como também de controlar o orçamento em todos os níveis.
Numa palavra: socializar em termos cada vez mais vastos e eficazes três questões de fundamental importância para uma economia justa, solidária e sustentável: o que produzir? Como produzir? E para quem produzir?
Pe. Alfredo J. Gonçalves
Assessor das Pastorais Sociais – 07/12/12